Deputada envia ofício em resposta a declaração de secretário de Esportes sobre pessoas com deficiência
A deputada estadual Andréa Werner (PSB) tomou uma atitude importante e enviou um ofício à Prefeitura de São Caetano do Sul, buscando esclarecimentos sobre uma declaração polêmica feita pelo secretário de Esportes da cidade, Mauro Roberto Chekin. Durante uma audiência pública na Câmara Municipal, Chekin disse que não consegue interagir de forma adequada com pessoas com deficiência (PCDs), o que gerou repercussões negativas.
O que aconteceu com o secretário de Esportes?
Durante a audiência, o secretário Chekin fez uma declaração infeliz, afirmando que “não consegue” lidar com pessoas com deficiência. Essa fala foi considerada discriminatória e prejudicial, não apenas para os PCDs, mas também para a imagem da administração municipal. A deputada, que é mãe de um adolescente autista e se considera autista diagnosticada tardia, ficou alarmada ao ouvir tais comentários.
A importância da inclusão de PCDs
A inclusão de pessoas com deficiência no esporte é essencial para garantir igualdade de oportunidades e promover o bem-estar. O esporte é uma ferramenta poderosa para a inclusão social, pois oferece uma plataforma onde todos podem participar e se expressar, independentemente de suas limitações. A declaração do secretário pode ter implicações sérias na forma como as políticas públicas para inclusão são implementadas.

Reação da deputada Andréa Werner
No ofício, a deputada Andréa Werner destacou que o secretário usou termos pejorativos e não compreendeu as diretrizes estabelecidas pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI). Ela enfatizou que a deficiência deve ser vista como resultado da interação entre limitações e barreiras, e não como um problema intrínseco ao indivíduo. Além disso, o secretário manifestou resistência ao cumprimento das leis de inclusão, o que caracteriza uma grave omissão administrativa.
O que diz a Lei Brasileira de Inclusão?
A Lei Brasileira de Inclusão, sancionada em 2015, estabelece direitos e garantias para pessoas com deficiência, buscando eliminar formas de discriminação e incentivar a inclusão em todos os aspectos da sociedade, incluindo esporte, educação e lazer. A lei deixa claro que a inclusão é um dever do Estado e deve ser promovida ativamente mediante políticas públicas efetivas.
Capacitismo: uma forma de discriminação
O capacitismo, que se refere ao preconceito e à discriminação contra pessoas com deficiência, deve ser combatido. Esse tipo de discriminação, como os comentários feitos pelo secretário, é punível conforme a Lei Brasileira de Inclusão. As penalidades podem incluir de 1 a 3 anos de reclusão, além de multas, especialmente se o ato for disseminado por meio de comunicação social.
Desafios enfrentados na inclusão social
A fala do secretário também reflete um problema mais amplo que a sociedade enfrenta em relação à inclusão de pessoas com deficiência. Muitas vezes, obstáculos como a falta de conscientização, preconceito e a ausência de infraestrutura adequada dificultam a participação efetiva dessas pessoas em atividades esportivas e recreativas.
A resposta da prefeitura de São Caetano do Sul
Em resposta às polêmicas levantadas por Chekin, a prefeitura de São Caetano do Sul declarou que possui um histórico de comprometimento com políticas públicas de inclusão e promoção dos direitos das pessoas com deficiência. Eles afirmaram que a administração se dedica a investir em programas e parcerias, buscando constantemente melhorias na inclusão.
A fala do secretário e suas implicações
Além de expressar sua incapacidade de lidar com PCDs, o secretário Chekin fez comentários que descredenciam a importância da inclusão, afirmando que essa é uma responsabilidade do Estado, mas não um dever pessoal. Isso demonstra uma falta de compreensão sobre o papel que cada indivíduo deve desempenhar para promover uma sociedade mais inclusiva.
A visão da vereadora Bruna Biondi
Durante a audiência, a vereadora Bruna Biondi respondeu aos comentários de Chekin de forma incisiva, afirmando que a inclusão deve ser garantida. A postura dela contrasta com a ideia do secretário e ressalta a importância de um debate saudável sobre como a inclusão e o respeito às pessoas com deficiência devem ser tratados nas políticas públicas.
Caminhos para uma inclusão efetiva
Para que possamos avançar em direção a uma sociedade verdadeiramente inclusiva, é necessário que haja uma reavaliação das práticas e percepções sobre pessoas com deficiência. Isso envolve desde a formação de profissionais adequados, até investimentos em infraestrutura que promovam a inclusão. A mudança de mentalidade é crucial para garantir que todos tenham acesso ao esporte e outras atividades sociais.

